Dica n.º 109 - Sexta, 28.11.2003
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Onomatopéias

Muito pouco espaço as gramáticas dedicam a esse tipo de palavra. As onomatopéias são vocábulos imitativos, isto é, imitam ou tentam reproduzir sons ou ruídos que se ouvem à nossa volta, na Natureza. Sua sonoridade já expressa o sentido. Geralmente, as onomatopéias classificam-se como substantivos, verbos ou interjeições. Veja alguns exemplos abaixo:

Substantivos – Muitos substantivos que são onomatopéias provêm de verbos imitativos de vozes de animais: miado, piado, silvo, zumbido, de “miar”, “piar”, “silvar”, “zumbir”. Outros são obtidos pela substantivação de verbos desse tipo: o coaxar, o rosnar, um cricrilar. Outros ainda são simples aproximação de sons: bem-te-vi, reco-reco, tique-taque, xique-xique.
Verbos – Muitos verbos que reproduzem vozes de animais têm origem onomatopaica: chiar (insetos), cricrilar (grilos), coaxar (sapos), miar (gatos), piar (pássaros), silvar (cobras), trissar (pássaros, morcegos), uivar (cães, lobos), zumbir e zunir (insetos).
InterjeiçõesBuf!, bum!, craque!, pá!, paf!, tchibum!, toque-toque, tsss!, zás-trás.

Apesar de as onomatopéias não poderem ser consideradas a fonte original e corriqueira das palavras, é inegável que há, nas línguas, preferência onomatopaica na criação lexical para designar ou descrever muitos seres, objetos e fenômenos naturais. Fato lingüístico comum é a chamada “reduplicação”, possivelmente originária da linguagem infantil (confira au-au, mamãe, papai, titio, vovô), que consiste na repetição de sílabas ou apenas de consoantes para indicar atos repetitivos ou contínuos: assim, para ficar só no português, temos cacarejar, chuchurrear, ciciar, cochichar, murmurar, pipiar, titilar, etc., além dos já citados reco-reco, tique-taque e xique-xique. Percebemos assim que a reduplicação de base onomatopaica reproduz aproximadamente sons do ambiente natural e tem função morfológica. A especificação (reduplicação de base onomatopaica) faz-se necessária porque há reduplicações que não têm essa base, embora também exerçam função morfológica, como as existentes em certas línguas indígenas brasileiras – para indicar número plural –, africanas e outras.

O termo “onomatopéia” provém do latim onomatopœia, derivado do grego (onomatopoiia), palavra formada de (ônoma = nome) + (poiêo = fazer) + (ia = ação de).


Leia mais em:
Dicionário etimológico da língua portuguesa, de Rotilde Caciano de Almeida, verbete “Onomatopéia”.
Dicionário etimológico Nova Fronteira da língua portuguesa, de Antônio Geraldo da Cunha, verbete “onom(a)”, subverbete “onomatopéia”.
Gramática metódica da língua portuguesa, de Napoleão Mendes de Almeida, §§ 508 e 596, Notas, 2.ª.
Nova gramática do português contemporâneo, de Celso Cunha e Lindley Cintra, p. 113.

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